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Metamorfose

metamorfose

Ele parece esconder o sol e a lua dentro de si.

Como se pudesse ser duas pessoas em uma só.

Às vezes, é o cara mais carinhoso que eu já conheci. Brincalhão, gentil, amável.

Nesses instantes, lembro de momentos que ainda não vivemos, mas que ainda assim, estão guardados dentro do meu peito, esperando para serem compartilhados contigo.

Lembro do cheiro do teu perfume, do cheiro do teu corpo quando fica suado, lembro dos teus olhos refletindo os meus.

Em todas essas lembranças, você é o meu guia, a luz que alumia meus passos na escuridão.

Então, a noite chega, silenciosa e repentinamente.

E eu percebo que apesar de bela, a lua não me é suficiente.

Porque a lua é fria e sombria, e isso me assusta.

Então, corro para debaixo das cobertas e pretendo fingir que não conheço esse lado teu.

Pois, me vejo diante de um cara cujo coração parece ter sido substituído por uma pedra. E as delicadas mãos, por punhos de ferro.

A sombra friorenta da lua deforma teu rosto.

Mas, principalmente, tua alma.

Choro em agonia.

E com um desesperado beijo tento te trazer de volta para mim.

Fazendo tua alma lembrar o poder do amor.

É quando você, soluçando, cai nos meus braços, e gentilmente retribui o meu beijo.

E a metamorfose definitivamente acaba.

Te devolvendo por inteiro pra mim.

– Edmilson Rodrigues é aspirante a escritor e jornalista. Chocólatra, cinéfilo, adora viajar e conhecer pessoas. Cheio de sonhos, vive transitando entre os mundos fantásticos dos livros que lê. 

Bobos

bobos

Caminho de um lado pro outro meio impaciente enquanto te espero. Olho o visor do celular inúmeras vezes, nenhuma mensagem de texto, chamada, ou qualquer sinal seu. Mãos suadas, cabelo bagunçado, cérebro a mil. Vejo que horas são e percebo que você não está atrasado, mesmo assim olho o relógio outra vez, e mais uma, acho que estou meio paranoico com a sua ausência.

A usual situação da rua nada me acrescenta. Ouço o barulho dos carros transitando, as intermináveis buzinas, o ruído das freadas bruscas dos ônibus, ao mesmo tempo que várias pessoas passam pra lá e pra cá, todas muito ocupadas, atrasadas, apenas pessoas. Então, noto o sinal fechado mais uma vez. É quando vejo você do outro lado da rua.

Aceno tentando não aparentar tão desesperado quanto estava alguns minutos atrás, e você retribui sorridente, me presenteando com aquele sorriso gostoso que só você tem. Consequentemente, sinto minhas pernas bambearem e ordeno que elas se mantenham firmes –  mentalmente é claro.

Você se aproxima e nos abraçamos, um abraço apertado, sincero, então, lentamente, nossos lábios se encontram e se perdem num sentimento intenso e delicado, saciando a saudade. Logo, ouço as batidas disparadas do meu coração e sinto um leve frio na espinha, definitivamente o meu corpo clama pelo teu. Mas a realidade grita o meu nome, me chamando de volta e a razão prevalece a emoção. É nesse momento que procuro ser sensato e contra todos os meus instintos me afasto um pouco de ti.

Então, de mãos dadas, entramos no cinema, em meio aos diversos olhares dos transeuntes no local. Eu, todo bobo, sorriso de orelha a orelha, sentindo-me imensamente feliz. Nesse instante, olho sorrateiramente para o garoto que roubou meu coração enquanto ele compra os ingressos e percebo que seu sorriso também chega aos olhos, é o suficiente para meu estômago revirar, me fazendo sentir um turbilhão de sensações indescritíveis dentro de mim.

Sentamos exatamente no meio do cinema, é o meu lugar favorito. Levantamos o braço da poltrona para ficarmos abraçados juntinhos e conversamos baixinho enquanto o filme não começa. Sinto-me profundamente realizado, gostaria de simplesmente eternizar esse momento, parar o tempo, ou apelar pra qualquer fórmula mágica que me permitisse viver uma eternidade de momentos como este ao seu lado.

Me descubro planejando um futuro pra gente, sorrio ao nos imaginar daqui a 20 anos, ainda apaixonados… Em seguida, o filme começa. Me envolvo ainda mais em seus braços e fecho os olhos visualizando exatamente o momento que estamos vivendo, a trilha sonora do filme é nossa cúmplice, penso que foi escolhida especialmente para nós. Nossos corpos se  procuram, meu olhar encontra o teu, e nesse instante nossos lábios se encontram em ávidos beijos, meu corpo estremece e um intenso calor percorre todo o meu ser, eriça os pelos de meu braço e da minha nuca. É inevitável te querer.

A saudade vai se esvaindo, dando lugar a paixão. São dois corações batendo como um, um sentimento puro e inexplicável compartilhado por duas almas tão diferentes e tão semelhantes, ao mesmo tempo. Somos dois apaixonados, de mãos dadas, no escurinho do cinema, prontos para uma eternidade juntos.

– Edmilson Rodrigues é aspirante a escritor e jornalista. Chocólatra, cinéfilo, adora viajar e conhecer pessoas. Cheio de sonhos, vive transitando entre os mundos fantásticos dos livros que lê.