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Sobre “vestir-se”

As palavras precisam sair das gavetas. Esse é o objetivo do nosso projeto, dar vida as letras que mofam em seus esconderijos: nos fundos dos armários, prensadas entre os cadernos. Nossa equipe acredita que as histórias só vivem se forem contadas. E quantas formas de contar um bom texto existem? O Gaveta já trabalhava com imagens estáticas, textos publicados em nossos sites e até no formato de revista, a “Sinestesia”, mas percebemos que ainda não era o suficiente. As palavras existem também em som e nessa forma são muito poderosas. Podem ser narradas, declamadas, expressando emoções em diversos tons.

Refletindo sobre isso chegamos à conclusão de que as letras merecem ganhar todas as “vestes” possíveis. Assim, estreamos agora uma nova dinâmica do Gaveta de Letras. Autores, se preparem, pois alguns de vocês poderão ter suas palavras interpretadas, refletidas em sons e imagens dinâmicas, saindo das gavetas para ganhar o mundo nas vestes que bem entenderem! E que poesia seria melhor, para abrirmos essa linda parte do projeto, do que a de Camila Grizzo, “Veste”?

Disseram-me que deveria escolher qual veste dar aos meus versos é como Drummond? como Leminski? como Cecília? ou autores diversos? Então eu descobri que meus versos são nus, desses que não se vestem de alguém ora é assim, ora assado com ritmo ou …………………………des ………com ….pas ……………sa …….do sem se apossar da veste de ninguém.

– Caipirinha do interior paulista, com 20 anos de idade, me chamo Camila e comecei a escrever para dar forma às abstrações que guardo em mente. Grande entusiasta da vida e amante de música tenho procurado meu caminho entre as pedras do mundo.

Edição: Matheus Fabio

Não desformigue o formigueiro

Ilustração de Julia de Belli
Ilustração: Julia de Belli

Quando longe ainda
de tudo o que possa ser ar respirável
a formiga continua seu caminho
questionando-se o questionável.
Operária da causa maior
do rei capital, não está para festa
como está dona cigarra,
mas, sabe se divertir quando pode.
Noutro dia apareceu uma tempestade devastadora
que assolou o formigueiro
e deixou inconsolável dona formiga
que de suas crias não achava o paradeiro.
A tempestade era o rastro do pé
do homem que pisou ali
egoísta, acéfalo, preocupado com o umbigo
não quis nem saber e meteu o pé como um javali.

– Caipirinha do interior paulista, com 20 anos de idade, me chamo Camila e comecei a escrever para dar forma às abstrações que guardo em mente. Grande entusiasta da vida e amante de música tenho procurado meu caminho entre as pedras do mundo.