Tag Archives: Cadeado

Versos da Alma

psu4Htp

Meus dedos são como lápis

Que vão escrevendo versos

No papel do teu corpo.

E nesse corpo,

As vezes,

Me encontro com marcas

E cicatrizes de poemas antigos

Que foram apagados com o tempo.

As vezes bebo-te

Em goles de raiva,

Misturado com perdição.

E trago todo o egoísmo

Que tem em ti,

Com cigarros baratos

Ascendidos na chama da tua timidez.

E em meio a toda essa confusão

Que é você;

Vejo tua boca,

Lépida e sádica,

Destilando sorrisos

Empoçados de venenos.

E acho teus olhos,

Quietos e calados,

Tentando disfarçar

Aquilo que você tem por dentro;

E que agora

Está fora de seu controle.

Bem, quem sou é uma questão que me tortura há tempos. Só posso dizer que sou estudante de História e nas horas vagas escrevo e vivo. Tenho 19 anos e pretendo ser professor. Simpatizo com poetas sacanas e marginais, pois gosto das palavras que saem da raiva, dor, ódio, angustia, ócio e sofrimento. Pra mim, são os melhores poemas.

Asa branca

ncnLpkZ

No meu corpo as tuas cinzas

Debaixo dos braços o branco

Branca é a terra

Árida enlaçada em sertão

Branca é a minha asa

que plana para o sul verde

Para trás fica a minha terra

e meus filhos que diminuem…

Branca é a minha esperança

nessas novas veredas

Mas quero acolher a seca em mim

Pois as águas do meu coração são muitas

Há cura, ainda há valor.

“Hoje eu sou uma senhora, velha como o que aprendi.
Hoje eu sou uma senhora, velha como o molde de onde tento sair.
Letícia, aspirante a jornalista, amante de cinema, leitora indisciplinada e imersa na constante tentativa de demonstrar pelos meus versos as minhas verdades mutáveis.”

A Mulher Recife

VV95byQ
Ilustração por Julia de Belli

Ah, Recife… Como uma mulher estuprada, a culpa é sua. A culpa é sua porquê você quis lutar contra os grandes homens. E nessa cidade é errado lutar contra grandes homens.

Ah, Recife… Como numa cena de estupro, ninguém pode te proteger. Ninguém pode te proteger porquê será agredido também.

Ah, Recife… Se todos pudessem te ouvir e te amar. Mas você é uma cidade estuprada, uma cidade que não tem voz e que pra muitos merece a condição.

Ah, Recife… Mas você é uma cidade que tem povo e quem tem povo, TEM VIDA.

Ah, Recife… Enquanto houver povo, haverá luta e não haverá preço que te compre.

-TF é uma pessoa espontânea e divertida, mas que precisa “caotizar” de vez em quando…  São em momentos assim que nascem textos como esse.

Sobre “vestir-se”

As palavras precisam sair das gavetas. Esse é o objetivo do nosso projeto, dar vida as letras que mofam em seus esconderijos: nos fundos dos armários, prensadas entre os cadernos. Nossa equipe acredita que as histórias só vivem se forem contadas. E quantas formas de contar um bom texto existem? O Gaveta já trabalhava com imagens estáticas, textos publicados em nossos sites e até no formato de revista, a “Sinestesia”, mas percebemos que ainda não era o suficiente. As palavras existem também em som e nessa forma são muito poderosas. Podem ser narradas, declamadas, expressando emoções em diversos tons.

Refletindo sobre isso chegamos à conclusão de que as letras merecem ganhar todas as “vestes” possíveis. Assim, estreamos agora uma nova dinâmica do Gaveta de Letras. Autores, se preparem, pois alguns de vocês poderão ter suas palavras interpretadas, refletidas em sons e imagens dinâmicas, saindo das gavetas para ganhar o mundo nas vestes que bem entenderem! E que poesia seria melhor, para abrirmos essa linda parte do projeto, do que a de Camila Grizzo, “Veste”?

Disseram-me que deveria escolher qual veste dar aos meus versos é como Drummond? como Leminski? como Cecília? ou autores diversos? Então eu descobri que meus versos são nus, desses que não se vestem de alguém ora é assim, ora assado com ritmo ou …………………………des ………com ….pas ……………sa …….do sem se apossar da veste de ninguém.

– Caipirinha do interior paulista, com 20 anos de idade, me chamo Camila e comecei a escrever para dar forma às abstrações que guardo em mente. Grande entusiasta da vida e amante de música tenho procurado meu caminho entre as pedras do mundo.

Edição: Matheus Fabio

Teor de Açucar

teor de açucar

Ok, eu me rendo…

Retiro toda essa farsa,
e a máscara que me disfarça
de menina má.

A verdade é que sou mais doce
do que bolo de festa infantil.
Mas eu tenho medo,
medo desses começos
com meios e fins.

Porque eu só queria um amor
com gostinho de açúcar mascavo
e caldo de cana no deserto.
Um amor que durasse
– quem sabe –
uma vida inteira.

Esse vai e vem me desgasta.
E a conquista é sempre o mesmo ritual.
Amar do começo ao fim
– só um ser –
por acaso, faz mal?

E nessas poucas linhas me rebelo.
E revelo que parte da minha ousadia,
nada mais é do que um coração magoado.
Que depois de ter sido
tantas vezes pisado.
Hoje tem medo de se abrir outra vez.

E assim eu confesso:
Aquele doce que certo dia comi,
virou glicose em meu corpo,
e hoje corre em minhas veias.

Em escala de amor,
meu teor de açúcar é alto.
Diabetes Mellitus.

– Cris Aquino é bióloga por formação e aspirante a fotógrafa por paixão. Não sou poeta, mas rabisco algumas palavras que descrevem os meus sentimentos e o meu dia-a-dia. Escrever é um descarrego, uma terapia.

Do Lado da Frente

image
Ilustração: Júlia de Belli

“O dedo que aponta aponta pra a puta.

A puta que sente,

que sente e que ama.

A puta demente tão cedo se assanha.

Se esquece que ganha,

se esquece que mente.

Ela vê o dedo,

o dedo que aponta.

E se desaponta,

mas não se arrepende.”

– Me chamo Pamela Sousa e tenho 19 anos. Sou natural da cidade de Escada, e vim parar em Recife por conta dos estudos. Me apaixonei pela cidade e pelas pessoas, e acho que não saio mais daqui não.  Há dois anos faço geologia na UFPE. Escrevo sempre que dá vontade ou quando preciso, é uma terapia, eu organizo muito meus pensamentos enquanto escrevo.

Conheça mais do trabalho de Pâmela em seu blog:

http://palavrasobsoletas.blogspot.com.br/

Osvaldo

Y9T1N47

Osvaldo,

Faz tempo que não escrevo para você. Talvez eu só viesse andando tão perto da minha vida que fosse deselegante falar sobre ela. Claro que agora é madrugada, e a vida está dormindo, assim como eu deveria estar. Uma das minhas partes favoritas do dia é essa. Tecnicamente, é o comecinho do dia seguinte, mas na verdade é o epílogo do que aconteceu desde que acordei. Um intervalo entre um dia e outro, não parte do dia, a madrugada é um fenômeno independente. A não ser, claro, que ela se enquadre como uma extensão de uma noite com os amigos. Ai, sim, ela seria dia. Mais especificamente, noite. Mas isto não é um dia. Tampouco uma noite. É uma madrugada, e você está aqui comigo. Suponho que ao meu redor não deva ser uma localização muito legal, pelo menos a vista daqui não é das melhores. As coisas parecem boas, mas é como se eu estivesse observando por uma vidraça embaçada. A pior parte é a ausência do vidro, todas essas figuras são o que são, naquelas formas, naqueles tons. A sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa se assemelha a um sonho, sem nenhuma conexão com a realidade. Você simplesmente sente que não é esse o caminho, pelo menos não para agora. Porque “agora” fica estranho, sem encaixe, assume uma cor que não combina com o desenho. Adoraria que meu Agora estivesse certo, porque ele é um bom Agora, só não agora.

– João Costa tem 18 anos e mora em Recife. Estuda Letras e gostaria de um dia viver delas. Também estuda devaneios, e relações humanas,- por mais espessas que estejam se tornando as olheiras e mais concentrado ande seu teor de álcool no sangue. Humor decadente é um dos destaques de seu currículo, assim como mentir e falar em terceira pessoa.

Minhas Fobias

minhas fobias
Tenho fobia de filas.
Filas de supermercados,
de ônibus,
bancos,
e terminal integrado.
Tenho fobia de lugares tumultuados.
Olinda no carnaval,
o Galo da madrugada.
No reveillon os fogos de artifício,
quando em exagero.
Tenho medo até de procissão
e enterro.
Não tenho medo de bicho,
aranha, cobra, macaco, mosquito.
Tenho medo é de gente.
Gente que me prende,
gente que morde e não come.
Tenho medo de gente que me consome.
Suga meu oxigênio e me sufoca.
Mas não sei se isso importa.
Nem sei mais pra quê escrevo.
Ah, sobre os meus medos.
Que exagero!
São medos tão esquisitos
que nem sei se existe nome.
Espera, parece que eu tenho
Agorafobia,
quem diria.
Mas o pior deles,
-eu vi no Google-
é a tal da filofobia:
Medo irracional de se apaixonar.
E acabar
-como no Poema da Naia-
uma pobre e puta
BURRA.
AQUINO

Ps.: Porque apaixonar-se é pior do que enfrentar a fila do Barro/Macaxeira numa manhã de sexta-feira.

– Cris Aquino é bióloga por formação e aspirante a fotógrafa por paixão. Não sou poeta, mas rabisco algumas palavras que descrevem os meus sentimentos e o meu dia-a-dia. Escrever é um descarrego, uma terapia.

Writing

image
Um caderno
Folhas preenchidas
Pena embebida em tinta
Desenhos de flores, palavras de namoro

Uma pequena tábua
Vários rabiscos
Uma talhadeira suavemente manejada
Dois nomes colados

O suspiro do escriba
Os movimentos ágeis
O olhar rápido e esgueiro acompanhando os traços
As batidas rápidas no peito abrindo-lhe um sorriso.

-Mike Torres estuda Jornalismo na UFPE, tem 22 anos, está no sexto período da graduação e tem muitos sonhos, tanto pessoais quanto profissionais. Ama música, fones de ouvido, história, livros, o mundo virtual e poesia. Gostaria de dar um abraço em todo mundo.

Sobre Solidão

KPIlrir

Ilustração: Julia de Belli

“Sobre solidão:

Nem eu me suporto mais.

E todas as minhas gavetas estão vazias…

Meu café já acabou, minha poesia também.

Hoje só tenho esse tempo nublado,

E quando o sol chega,

A solidão me abraça.

Eu sou o desperdício, o não valer a pena, o jogar fora.

Eu sou uma vida que desistiu.”

– TF é uma pessoa espontânea e divertida, mas que precisa “caotizar” de vez em quando…  São em momentos assim que nascem textos como esse.