Leia para o seu filho

Por Maria Anna Leal Martins
28 de julho de 2015

cronica mari
Imagem Google

Sabe como comecei a gostar de ler? Com a ajuda de minha família. Lembro-me que minha tia lia para mim na rede que ficava na varanda da casa de minha avó e que eu decorava as palavras dos livrinhos e fingia (enquanto ninguém estava olhando) também saber ler . Perdi a conta de quantas vezes tiveram de me contar o conto de “Rapunzel”.

Eu criava histórias na minha cabeça. Montava enredos e situações. Muito se dava pelo estímulo à criatividade, não só através da leitura, mas ela como uma das protagonistas. Lembro-me que sonhava em descobrir o que existia dentro daqueles livros grossos de capa dura… “Livros de adultos” que eu só poderia ler “quando crescer” como dizia minha tia. Ah, como eu me aborrecia… Ah, como cada livro parecia um tesouro secreto. Tive de me contentar com os livros finos e coloridos.

Daí passei por uma fase rebelde. Aprendi a ler, mas os livros já não me pareciam mágicos, muito menos tesouros. Era papel. Eram parados. Eram chatos. Passei um tempão negando o meu passado encantado. Tinha a chave para os mundos, mas já não possuía interesse pelas portas.

Então veio aquele dia. O dia que minha madrinha me deu dois presentes atrasados (não me lembro se de natal ou aniversário), dois livros: “Poliana” e “Poliana moça”. Dei aquele sorriso falso e guardei-os nas várias estantes da casa. Pensei que nunca os leria.

Até aquele outro dia.

Não existia mais nada para fazer (ou eu não encontrava o que fazer). Olhei para aqueles livros na prateleira. Peguei o primeiro e li. Meu Deus e como li! Passei a tarde e o dia seguinte lendo e, assim que acabei o primeiro, ataquei o segundo. Amei cada pedacinho dos dois presentes de minha tia. Eu me lembrei. Lembrei-me do quanto amava aquilo e que, finalmente, poderia ler o que quisesse.

Vieram os “Para gostar de ler”, os vários livros de “Carlos Heitor Cony” e hoje sei o que existia nos livros de capa dura, os livros de “gente grande”. A verdade é que se não fossem meus pais, minhas tias, meus avós e minha madrinha me influenciando, lendo, me dando livros de presentes, eu teria perdido muito. Teria perdido muitos sonhos e viagens, teria perdido um monte de paixões de letras e emoções indescritíveis.

A leitura se mostrou um processo tão pessoal… Tão íntimo. Eu namorei com cada livro que li. Apaixonei-me pelas histórias, tive rompimentos bruscos, chorei e ri. Algumas obras até pedi em casamento… Mas confesso: nunca fui fiel. Sempre precisei me envolver com mais livros, ter casos de uma tarde e amores de meses. Sentir aquele aperto no peito, aquele que nasce de um sentimento puro. O amor que as palavras despertam.

Os livros nos ensinam muita coisa… Talvez a maior delas (e peço que não me levem a sério, afinal, quem sou eu para saber de qualquer coisa?) seja a de conhecermos um pouco mais sobre quem somos nós e quem é o outro. Através das palavras dos outros encontramos a nós mesmos e enxergamos melhor as coisas a nossa volta. Então, se existe um conselho que essa simples leitora poder dar, é esse: Leia para os seus filhos. Dê livros de presente, leve-os às bibliotecas, contem-lhes histórias, deixe-os amar as palavras e ensine-os a viajar sem sair do lugar. Permitam que conheçam e aprendam com as palavras, permitam que o sonhos saiam da gaveta.

Por Sarah Melo
Foto Por Sarah Melo

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