Monthly Archives: Agosto 2015

Desafio das Fechaduras

Essa seção do Gaveta procura, como não poderia deixar de ser, trabalhar diretamente com literatura, mas, dessa vez, feita dentro da equipe do projeto. Uma história é lançada e, periodicamente, novas partes dela serão publicadas. Funciona assim: depois de publicada, a história terá seu desenrolar nas mãos do público. No final de cada capítulo, haverá três possibilidades de continuação e os leitores votarão naquela que preferir. Ou seja, tudo o que acontecer na história – desde ser levada a algo que não faça muito sentido até à morte de um personagem – será de responsabilidade daqueles que votaram para que tal coisa acontecesse.  Desse modo, o Gaveta dá a oportunidade de aqueles que nos acompanham construírem um enredo junto conosco. As votações poderão ser realizadas logo após a leitura do capítulo atualizado, aqui mesmo no site.
Quem ficará responsável pela escrita dos capítulos escolhidos por meio de votação é Maria Anna Leal Martins. Ela é editora do projeto e já teve alguns de seus textos publicados no Jornal de Gaveta.

Quer conhecer esse desafio? Então acesse.

Foto: Marlon Diego Edição: Matheus Fábio
Foto: Marlon Diego
Edição: Matheus Fábio

Ainda não é hora do aDeus

Em 11 de agosto de 2015

Na noite de quinta-feira (6), no bar Teatro do Mamulengo, Miró da Muribeca, o poeta-cronista (como ele mesmo se denomina), lançou seu novo livro. No mesmo dia em que completou 55 anos de vida, o aDeus de Miró chegou não para se despedir, mas para confirmar que ele ainda terá muitos momentos para poetizar.

De cara, o título traz um duplo sentido muito interessante e digno do poeta versátil e ágil que ele é. Numa conversa com o Gaveta, explicou que essa ambiguidade é proposital. Apesar do título já existir antes mesmo de ser internado no hospital, mês passado, o nome traduz sentimentos que vieram durante a estadia forçada e logo depois que o poeta recebeu alta. Inicialmente o questionamento “Há Deus?” poderia ser o título da obra e também teria a ver com a morte da mãe, um momento difícil para a vida de Miró. Mas, depois de ter sido internado por causa de complicações vindas principalmente pelo consumo de álcool, o título traz outra interpretação: Adeus. “Agora é o adeus ao álcool [..] ao Miró que eu não quero mais”, declara o poeta. Por fim, quem resolveu que seria aDeus foi Wellington de Melo, editor do Mariposa Cartonera, responsável pela publicação do livro, fazendo referência às duas interpretações e causando um duplo sentido bastante propício.

São 33 poemas. “A idade de Cristo”, Miró fala da coincidência. Eles foram selecionados por Wellington de Melo, editor do Mariposa Cartonera, responsável pela publicação do livro. “Havia um conjunto de poemas que haviam sido selecionados por Karla Melo, da Confraria do Vento. Algo em torno de cento e cinquenta poemas que envolveriam um projeto que acabou não indo adiante. Miró me deu o ar​quivo e disse que eu teria liberdade para escolher. Fiz uma seleção pensando nesse momento dele e mostrei. Tiramos um poema e colocamos outros, chegando ao número de trinta e três textos”, conta Wellington.

Apesar do recém-lançamento, já há em vista outro trabalho a ser divulgado. “Já estamos fazendo uma nova edição do livro e ele tem a ideia de reunir outros poemas e fazer outro livro. Vamos conversando sobre isso. O importante agora é a recuperação dele e manter a saúde e a energia”.

Todas as 150 unidades autografadas e enumeradas do livro já foram vendidas, mas ainda é possível adquiri-lo numa segunda remessa que chegará em cerca de 15 dias. Os livros podem ser comprados pelo site da Mariposa Cartonera. Em breve, serão indicados pontos de venda.

Foto: Priscila Buhr
Foto: Priscila Buhr

Eu e o meu desejo

Eu quero. Eu desejo.
O meu querer e o meu desejo me movem e me tolhem ao mesmo tempo:
continuidades e rupturas.
Eu quero como eu quero.

E não quero quando o que quero não é como o meu querer; como eu quero.
Quero querer querendo o que quero…
Quero não querer o que quero… Quero?
Quero querer saber se o que eu quero, eu quero. Quero!

Fonte inesgotável do querer, o meu desejo me alimenta pelos sentidos: mãos, olhos, ouvidos, nariz, boca.
O teu ou o meu desejo de querer me invadem? Me ofendem? Me vilipendiam?
Que frio, que escuro, que nada… o simples e inevitável desejo de querer…
Quero sonho, quero vida, quero cor, quero pulsação, quero gozo, quero dor.

Não importa o que seja, QUERO!
Tua mão suja me/se move de dentro de mim, revira-me e tira o que nem existe em mim…
Quero ser tu! Queres ser eu?
Nego-te! Anula-me?

E no fim, nem eu; nem tu; nem sonho; nem vida; nem morte; nem principio, meio, fim; nem nada…
Só resta a doce ilusão de que sendo… torna-se, o ambíguo presente de que fomos e seremos…
Só resta o ar, a lágrima, a ausência e o meu querer de ser, não sendo, pois o meu desejo me matou.

 – Tiago Geraldo, Barreirense, graduando de pedagogia pela Fajolca e de Jornalismo pela UFPE, psicanalista didata em formação.