Monthly Archives: Maio 2015

Sobre “vestir-se”

As palavras precisam sair das gavetas. Esse é o objetivo do nosso projeto, dar vida as letras que mofam em seus esconderijos: nos fundos dos armários, prensadas entre os cadernos. Nossa equipe acredita que as histórias só vivem se forem contadas. E quantas formas de contar um bom texto existem? O Gaveta já trabalhava com imagens estáticas, textos publicados em nossos sites e até no formato de revista, a “Sinestesia”, mas percebemos que ainda não era o suficiente. As palavras existem também em som e nessa forma são muito poderosas. Podem ser narradas, declamadas, expressando emoções em diversos tons.

Refletindo sobre isso chegamos à conclusão de que as letras merecem ganhar todas as “vestes” possíveis. Assim, estreamos agora uma nova dinâmica do Gaveta de Letras. Autores, se preparem, pois alguns de vocês poderão ter suas palavras interpretadas, refletidas em sons e imagens dinâmicas, saindo das gavetas para ganhar o mundo nas vestes que bem entenderem! E que poesia seria melhor, para abrirmos essa linda parte do projeto, do que a de Camila Grizzo, “Veste”?

Disseram-me que deveria escolher qual veste dar aos meus versos é como Drummond? como Leminski? como Cecília? ou autores diversos? Então eu descobri que meus versos são nus, desses que não se vestem de alguém ora é assim, ora assado com ritmo ou …………………………des ………com ….pas ……………sa …….do sem se apossar da veste de ninguém.

– Caipirinha do interior paulista, com 20 anos de idade, me chamo Camila e comecei a escrever para dar forma às abstrações que guardo em mente. Grande entusiasta da vida e amante de música tenho procurado meu caminho entre as pedras do mundo.

Edição: Matheus Fabio

Eita, Giovana

eita giovana

Eita, Giovana!
Tô deixando uma mensagem só pra avisar
que nada parou.
Nem eu,
nem o automóvel.
Foram só as rodas.
Chega de falar sobre poesias,
e trabalhar em redondilhas com
8
8…9
9…mil sílabas.
A cabeça dói.
E não precisa escrever nenhum poema
sobre a Bahia
Se você
não
foi lá
Não vai mais, Carlos! Teu forninho caiu!

Teor de Açucar

teor de açucar

Ok, eu me rendo…

Retiro toda essa farsa,
e a máscara que me disfarça
de menina má.

A verdade é que sou mais doce
do que bolo de festa infantil.
Mas eu tenho medo,
medo desses começos
com meios e fins.

Porque eu só queria um amor
com gostinho de açúcar mascavo
e caldo de cana no deserto.
Um amor que durasse
– quem sabe –
uma vida inteira.

Esse vai e vem me desgasta.
E a conquista é sempre o mesmo ritual.
Amar do começo ao fim
– só um ser –
por acaso, faz mal?

E nessas poucas linhas me rebelo.
E revelo que parte da minha ousadia,
nada mais é do que um coração magoado.
Que depois de ter sido
tantas vezes pisado.
Hoje tem medo de se abrir outra vez.

E assim eu confesso:
Aquele doce que certo dia comi,
virou glicose em meu corpo,
e hoje corre em minhas veias.

Em escala de amor,
meu teor de açúcar é alto.
Diabetes Mellitus.

– Cris Aquino é bióloga por formação e aspirante a fotógrafa por paixão. Não sou poeta, mas rabisco algumas palavras que descrevem os meus sentimentos e o meu dia-a-dia. Escrever é um descarrego, uma terapia.