Monthly Archives: Abril 2015

Meu pequeno Pote de Vidro

Meu pequeno pote de vidro

Hoje eu descobri algo que já suspeitava faz um tempo. Estou perdida e não faço mais a mínima ideia de quem sou. Depois dessa “epifania”, parei para pensar e decidi listar mentalmente tudo o que sempre pensei ser o que me definia. Mas consegui, em pouco tempo, reparar que não tenho sido nada parecida com o que pensava. Aí me veio a pergunta mais óbvia: Quem sou eu?

Aprofundando, também percebi que isso tem sido verdade por um bom tempo, mas estava ocupada demais fugindo e evitando pensar sobre o assunto. Descobrir isso me incomodou muito e o pior foi perceber que fugir tem sido parte de mim desde… Sempre.  Só que essa parte, infelizmente, não se foi.

Ver uma pessoa insatisfeita com o modo como sua vida está não é novidade. É bem comum, inclusive. Mas reparar isso em si mesma e ver que não está fazendo nada sobre isso é simplesmente triste. Tentei, então, identificar quando tinha sido essa mudança, ou o que tinha causado isso. Consegui, facilmente, encontrar o momento. E esse momento me fez refletir mais profundamente ainda. Imaginei a vida como sendo um lindo pote de vidro que naquele momento quebrou e ficou em cem pedaços pelo chão. Me Lembro de não ter vontade de recolher os pedaços e recompor o pote, pelo contrário, a vontade foi novamente de fugir, que, nesse caso, seria escolher o caminho mais fácil: recolher os pedaços e jogar no lixo. Desistir de tudo. No entanto, não desisti. Consegui reconstituir uma parte do meu pequeno pote e isso foi suficiente para me fazer feliz… Por um tempo.  Esse breve momento de alegria me fez esquecer do que ainda faltava ser reconstruído e querer viver apenas com o que já estava feito. Mas não era suficiente. Logo me dei conta disso e novamente recorri à velha solução: fugir. Só que, dessa vez, o fugir não seria jogar fora, mas sim acomodar, ignorar e tentar esquecer. Mas não deu certo.

Não se pode viver com apenas um pedaço, pois nunca será verdadeiramente suficiente e uma hora ou outra você terá momentos como esses em que percebe isso. Mas a diferença é feita quando a resposta a esse pensamento muda. Quando, em vez de fugir, te der vontade de lutar, de completar e se sentir completa. E, para isso, é preciso coragem e força. Se bem feito, será como nunca tivesse sido quebrado. Mas, felizmente, nunca será perfeito. Você sempre verá as marcas, e isso é o melhor porque te fará lembrar as três coisas mais importantes: Você já foi quebrado antes, poderá ser novamente e, mais importante, você já teve a força que precisou para se completar e essa estará sempre com você!

Metamorfose

metamorfose

Ele parece esconder o sol e a lua dentro de si.

Como se pudesse ser duas pessoas em uma só.

Às vezes, é o cara mais carinhoso que eu já conheci. Brincalhão, gentil, amável.

Nesses instantes, lembro de momentos que ainda não vivemos, mas que ainda assim, estão guardados dentro do meu peito, esperando para serem compartilhados contigo.

Lembro do cheiro do teu perfume, do cheiro do teu corpo quando fica suado, lembro dos teus olhos refletindo os meus.

Em todas essas lembranças, você é o meu guia, a luz que alumia meus passos na escuridão.

Então, a noite chega, silenciosa e repentinamente.

E eu percebo que apesar de bela, a lua não me é suficiente.

Porque a lua é fria e sombria, e isso me assusta.

Então, corro para debaixo das cobertas e pretendo fingir que não conheço esse lado teu.

Pois, me vejo diante de um cara cujo coração parece ter sido substituído por uma pedra. E as delicadas mãos, por punhos de ferro.

A sombra friorenta da lua deforma teu rosto.

Mas, principalmente, tua alma.

Choro em agonia.

E com um desesperado beijo tento te trazer de volta para mim.

Fazendo tua alma lembrar o poder do amor.

É quando você, soluçando, cai nos meus braços, e gentilmente retribui o meu beijo.

E a metamorfose definitivamente acaba.

Te devolvendo por inteiro pra mim.

– Edmilson Rodrigues é aspirante a escritor e jornalista. Chocólatra, cinéfilo, adora viajar e conhecer pessoas. Cheio de sonhos, vive transitando entre os mundos fantásticos dos livros que lê. 

Fragmentos de um personagem perdido

Gaveta de Letras

Eu vivo minha vida como a obra de um beijo. E digo sempre que posso “Esse não sou eu”. No limite de uma satisfação passageira, sendo livre, preso numa gaiola. Tento correr nos meus círculos, mas sempre acabo invadindo a bolha dos outros. Dá pra correr pelas estrelas, escorregar pelas veias escuras de um sonho perdido, descobrir imerso numa escuridão egoísta, o mais profundo coração rebelde. Dá pra olhar pelo passado e dizer “É, esse sou eu.” correndo por dentro das mais profundas correntezas. Amor pesado, te puxando pro fundo, onde se guarda a mais bela obra de arte.

– Emidio Freitas; Não há nada que eu queira falar sobre mim. Mas o que precisam saber é que tenho olhos puxados, dedos ágeis e um coração com chifres e espinho, como um touro com uma coroa de flores.”

Do Lado da Frente

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Ilustração: Júlia de Belli

“O dedo que aponta aponta pra a puta.

A puta que sente,

que sente e que ama.

A puta demente tão cedo se assanha.

Se esquece que ganha,

se esquece que mente.

Ela vê o dedo,

o dedo que aponta.

E se desaponta,

mas não se arrepende.”

– Me chamo Pamela Sousa e tenho 19 anos. Sou natural da cidade de Escada, e vim parar em Recife por conta dos estudos. Me apaixonei pela cidade e pelas pessoas, e acho que não saio mais daqui não.  Há dois anos faço geologia na UFPE. Escrevo sempre que dá vontade ou quando preciso, é uma terapia, eu organizo muito meus pensamentos enquanto escrevo.

Conheça mais do trabalho de Pâmela em seu blog:

http://palavrasobsoletas.blogspot.com.br/