Monthly Archives: Março 2015

Janeiros em Marços

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E eu continuo aqui.

Neste mesmo assento roxo, ouvindo as mesmas músicas, tentando tirar da cabeça um certo alguém. É que às vezes a vontade de ficar é mais forte do que a coragem de sair.

Pois bem, cheguei a uma conclusão – e espero eu que a mesma seja definitiva: eu sairei da trança, não como tentativa de fugir, mas de expandir em direção a outros horizontes. Dar lugar a outras pessoas.

Quem sabe eu encontre alguém… Não sou tão cabeça-dura a ponto de ignorar meus sentimentos e virar as costas para a realidade. E este é um momento definitivo: é um ponto final.

Há dois anos, meus Janeiros e Fevereiros, mais do que os outros meses, têm sido meses solitários e ruins. Mas hoje, em Março, eu mudo isso. Me prometo mudar.

Não me tornarei uma revolucionária ou louca, mas tentarei encontrar em mim a pessoa que busco ser. Afinal de contas, o segredo é aquele do livro O Pequeno Príncipe: “só se vê bem com o coração”. E é assim que pretendo ver. Viver. Ser.

E assim, eu sei, jamais terei Janeiros e Fevereiros como os que tenho novamente. E se os tiver, saberei superar. Por que a maturidade é uma qualidade (ou um defeito) que só se adquire ao, seja lá o que for, vivenciar.

Agora é hora de me despedir. Uma nova vida me espera.

Não serei nostálgica ou pessimista fazendo votos de encontro no futuro; nem enganadora, dizendo que quero felicidade ou tristeza; ou mesmo individualista, pensando somente em mim: neste momento, eu quero produtividade.

E, então, um “adeus” aos velhos tempos.

– Raquel; Uma garota com foco difuso, espalhado por todas as coisas nesse grande mundo. Apaixonada pela arte, e motivada pela escrita. Espontânea, vibrante e louca pelas coisinhas simples da vida.

Osvaldo

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Osvaldo,

Faz tempo que não escrevo para você. Talvez eu só viesse andando tão perto da minha vida que fosse deselegante falar sobre ela. Claro que agora é madrugada, e a vida está dormindo, assim como eu deveria estar. Uma das minhas partes favoritas do dia é essa. Tecnicamente, é o comecinho do dia seguinte, mas na verdade é o epílogo do que aconteceu desde que acordei. Um intervalo entre um dia e outro, não parte do dia, a madrugada é um fenômeno independente. A não ser, claro, que ela se enquadre como uma extensão de uma noite com os amigos. Ai, sim, ela seria dia. Mais especificamente, noite. Mas isto não é um dia. Tampouco uma noite. É uma madrugada, e você está aqui comigo. Suponho que ao meu redor não deva ser uma localização muito legal, pelo menos a vista daqui não é das melhores. As coisas parecem boas, mas é como se eu estivesse observando por uma vidraça embaçada. A pior parte é a ausência do vidro, todas essas figuras são o que são, naquelas formas, naqueles tons. A sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa se assemelha a um sonho, sem nenhuma conexão com a realidade. Você simplesmente sente que não é esse o caminho, pelo menos não para agora. Porque “agora” fica estranho, sem encaixe, assume uma cor que não combina com o desenho. Adoraria que meu Agora estivesse certo, porque ele é um bom Agora, só não agora.

– João Costa tem 18 anos e mora em Recife. Estuda Letras e gostaria de um dia viver delas. Também estuda devaneios, e relações humanas,- por mais espessas que estejam se tornando as olheiras e mais concentrado ande seu teor de álcool no sangue. Humor decadente é um dos destaques de seu currículo, assim como mentir e falar em terceira pessoa.

O Estranho

O estranho

Ele teve uma ideia, uma que ele mesmo não entendera a logica. Mas sabia que podia funcionar. Era algo tão irracional, tão sem sentido, sem propósito. Mas ele já estava decidido, iria levar a ideia pra frente. Ele aproveitou a noite, que estava mais escura que o habitual, e se aproximou da janela, lentamente, surdamente. Mas nada viu. Logo na noite em que ele se preparara para o encontro, o estranho não apareceu. As luzes de sua casa estavam apagadas, e no caminho de volta ao quarto ele viu o intruso ao cruzar o espelho. Mas não reagiu. Na noite seguinte, quando chegou em casa, se aproximou da janela para apreciar a vista da cidade, com suas luzes acesas. A noite era clara. Não demorou, e o estranho apareceu. Sem hesitar ele ergueu a arma e atirou no estranho. Ele mirou a cabeça, e o acertou, pelas costas. No mesmo instante ele caiu. Morto. Com lascas de vidro cravados em seu rosto. O estranho, com aquele rosto que há tanto tempo rondava a casa. Cruzando em espelhos e janelas. Sem nunca ter se visto, ele não se reconheceu. E morreu. O estranho manteve-se em pé, zombando da loucura de seu semelhante.

-L.P. escreve desde que notou como lhe faz bem e após um pouco de coragem resolveu mostrar o que tinha em si. Tenta muitos estilos de escrita até achar a que lhe cabe melhor, se existir tal coisa.