Monthly Archives: Novembro 2014

Poesiar

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A vontade a impulsionava a fazer algo, mesmo sem saber o que. Fazer o quê? Se sua mente não estava à vontade para criações legítimas? Escrevia, escrevia, ou melhor, enchia linhas. Não tinha sobre o que falar? Nada de interessante a dizer? Tinha, até que tinha, tinha sim. Muito, até. Mas o caos era a palavra de ordem e ela tinha certeza de que isso era um paradoxo, talvez. Seria antítese? Anti-tese? Um contrassenso, um contraponto? Ora, poesia, então.

– Juliana Almeida: A Ju é quem ela é, uma pessoa complicada, contraditória e interessante, ou pelo menos é o que o teste de psicologia disse. Atualmente, ela faz jornalismo na UFPE, e tem um monte de ideias fervilhando na cabeça.

Gostou? Então confira o blog onde a Ju escreve:http://lequaintrelleblog.wordpress.com

Caotizar

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Eu nunca quis ser essa artista do caos e saber pintar essa tristeza tão densa. Eu nunca quis ser a ponte de onde as lágrimas se jogam. E disso tudo, disso eu sei: não caibo. Essa necessidade de devorar todas as coisas me degenera. E continuo sem caber, sem saber. A vida é como uma roleta russa, querido… Você não pode simplesmente acreditar que tudo terminará bem. Alguém tem que morrer. Início, meio, fim. Tanto faz. Por dentro, por fora. Não tem importância. E não caibo, não sei e não tenho onde me enterrar. Mas se você prestar atenção, não é tão ruim assim. Morrer significa exceder todos os limites. E talvez nessa exceção caiba tudo o que você ou eu queríamos ter sido. Na exceção cabem todos os ideais. Mas eu ainda continuo sem caber, sem saber, sem enterro e agora sem sono. A vida tem dessas coisas de te fazer ficar acordado sempre. É sempre perigoso, querido, e a vida, que é anterior a nós, sabe disso.
Preste atenção, dear. Eu nunca era igual às outras pessoas (risos). As pessoas dizem que isso é bom. Dizem por que não vivem aqui dentro. Dizem por que são outros. E quando, nessa vida, os outros entendem alguém? Eu não sabia que não era errado ser diferente. A violência devastadora da autonegação é trágica demais para alguém superar. Eu não soupessimista demais nem apocalíptica demais, dear. Você já viu uma bala sair sozinha de dentro de um corpo? Eu disse que era sempre perigoso… Mas eu dormi algumas vezes. Tenho que pagar, não é? E não caibo, não sei, não tenho onde me enterrar, não tenho sono e também sinto alguma coisa. Eu paguei pra ver isso de felicidade (risos). Fiz empréstimos terríveis para isso. Tenho vendido algumas coisas que sinto. Prostituição de sentimentos. Dívidas são dívidas.
O caos é bonito de ler, não é, cher? Viva-o, então. Beba-o. Devore-o. Engasgue-se. Fique com ele. Mas todos os meus são meus. Meu caos é mais trágico do que bonito. Meu caos é inocente, ele acredita. Meu caos é todo regado a buracos negros. Meu caos é tudo. Tudo o que eu queria ser e não fui. Tudo o que me enoja. Tudo o que me atrai. Tudo o que não queria ou não teria coragem de ser. Um caos é todo livre. Todo puro. E tem doído alguma coisa. Tenho falado assuntos de universo. Feito frases curtas. Tenho pontuado tantas coisas, racionalizado tantas outras. Às vezes esqueço a possibilidade de parar sem terminar.
Percebe como eu mudo, querido? Nota minhas fases, dear? Consegue olhar mais pra dentro, cher? O meu caos, universo, frase pontuada. O meu desespero, a minha chance, a minha morte. Tudo de dentro. E tudo pouco demais para o que eu queria dizer. Palavras miseráveis, poucas, mesquinhas. Minhas. E eu amo. E eu tenho. Tenho pra valer. Ninguém tem nada pra valer, né? “Nada é para sempre”. Nem isso que escrevi. Posso estar feliz amanhã. Note o meu caos de hoje. Ele é único. Cada caos é um caos. Não me diminua com a sua compreensão. Eu sou mais ou menos do que isso. E termino sem caber, sem saber, sem enterro, sem sono, sentindo algo e sem razão. Ainda posso mudar. Estarei bem depois. Afinal, a morte é interior. E interiormente, a possibilidade de ressurreição é infinita. O que é sempre mais válido. Infinitos são caos interiores. Tudo é o caos que você quiser. Ou o que você quiser é o seu caos. Respire.
TF, eu não preciso ser alguém. E cada um que cuide do seu caos. E não me leia, querido.
– TF é uma pessoa espontânea e divertida, mas que precisa “caotizar” de vez em quando… São em momentos assim que nascem textos como esse.